Parabéns Brasil! Fomos promovidos ao Primeiro Mundo da Pior Forma Possível

Depois de longa ausência, volto aqui para colocar minhas reflexões. Desta vez nada alegres.
Me desculpem a ironia do título desta reflexão, mas quando me aborreço e irrito com as coisas tendo a ser irônica e sarcástica.
Depois do terrível atentado em Suzano, tenho acompanhado os noticiários, recebido algumas mensagens por WhatsApp, o que fez que eu, além de estar profundamente triste e estarrecida, aumentasse o meu nível de irritação com o "nonsense" de nossa sociedade em geral.

Os "Nonsenses" que vi até agora:

- Falta Deus nas escolas e nas famílias:
Nunca ouvi tanta bobagem e insanidade sobre os supostos desígnios de Deus.
Nunca se praticaram tantos atentados em nome de Deus, seja de um lado ou de outro, basta assistir o noticiário de hoje sobre o atentado na Nova Zelandia.
Dirão, sempre se matou em nome de Deus, sim, mas hoje somos em maior número e teoricamente mais civilizados com uma tecnologia inigualável à nossa disposição. O que me faz duvidar se realmente evoluímos.

- Outra pérola, dita por um parlamentar brasileiro: "Se os professores estivessem armados tal tragédida seria menor ou não teria acontecido" What?????
Essa me deixou sem palavras.

- Precisamos acelerar a discussão sobre a mudança da Lei sobre a Maioridade Penal:
Como se isso fosse adiantar alguma coisa. Num país em que as facções criminosas comandam os crimes a partir das prisões, o envio de um menor para uma prisão somente aceleraria o aprendizado na marginalidade e crime. Não que a Fundação Casa não tenha também suas pequenas escolas de bandidagem, mas existe uma preocupação maior e um trabalho de recuperação do menor infrator.

- "Armas fazem tão mal quanto um carro":
Como você argumenta contra um "nonsense" desses?
Se o carro faz tão mal, melhor vender o carro e comprar uma arma? Ou então vamos comprar mais um carro e aumentar o nosso poder de fogo? E por último vamos ter um carro e uma arma para nos defendermos melhor?
Nessa linha de argumentação defensiva, em nenhum momento vejo uma preocupação com uma real educação de base para a sociedade em geral, em particular os nossos jovens.

Suficiente de "nonsense", mas se a gente procurar vai achar mais com certeza.

Em momento nenhum nos noticiários e manifestações desta semana ouvi da Imprensa,  Parlamento, Senado, Presidência, Ministérios, principalmente o MEC e Secretarias de Educação, que é preciso fazer uma análise profunda do que ocorre com os jovens que chegam a esse tipo de violência aterradora.
Hoje pela primeira vez vi um artigo escrito por uma jovem de 24 anos no Intercept. O título pode chocar, mas vale a pena ler uma abordagem diferente do que se tem dito até agora. A jovem relata as suas penas na adolescência, fala sobre builyng, isolamento e a profunda depressão pela qual passou.
A certa altura de seu depoimento diz: "O que os adolescentes precisam urgentemente é de acompanhamento psicológico nos colégios. Mais armas não vai adiantar porra nenhuma. O que esses adolescentes precisam é serem ouvidos, é ter alguém, pelo menos uma pessoa, que os escute nas escolas. Na maioria das vezes, os professores só cobram, os colegas só pioram a situação, e os pais estão ocupados demais tendo que ralar para poder dar uma vida para eles." Este parágrafo traduz a irritação que me levou a compartilhar minhas reflexões.

Nossa sociedade está doente, muito doente. Os professores, pobres, lutam diariamente para poder trabalhar e cumprir com um cronograma insano e vazio de um conteúdo que realmente sensibilize e leve nossos jovens a um aprender com sentido. Não têm tempo para observar, quanto menos ouvir, os jovens. E quando ouvem, percebem e tentam fazer alguma coisa, encontram as barreiras burocráticas impostas por nossas Secretarias de Educação.
Os pais, pobres também, por questões de sobrevivência e ofuscados pela oferta insana de consumo, trabalham feito escravos para poder obter, obter e dar, dar aos seus filhos todas as "maravilhas" oferecidas por esse nosso sistema doente.
Nossa sociedade está doente, todos assistimos diariamente os efeitos colaterais de nosso câncer traduzidos em atentados, assassinatos, lavagens e corrupções descaradas. Ficamos estarrecidos, nos manifestamos ou não e vamos dormir com a esperança de ao acordar encontrarmos um mundo melhor.
Sinto dizer esse mundo melhor não virá tão cedo. Enquanto a gente não parar prá pensar, mas pensar mesmo, refletir profundamente e deixar de dar ouvidos aos "nonsenses", a nossa realidade não vai mudar tão cedo.
Aos "religiosos e espiritualistas" de plantão minha resposta: Deus nos criou no Amor, nos deu o livre arbítrio e aguarda amorosamente que façamos um bom uso dele. Infelizmente ao longo dos séculos não soubemos e não sabemos até agora fazer um bom uso desse livre arbítrio, por mais civilizados que pensemos ser e por mais avançados tecnologicamente que estejamos. 

Para quem tiver a curiosidade de ver outro ponto de vista sobre a tragédia ocorrida em Suzano, abaixo o link do Intercept:
https://theintercept.com/2019/03/14/a-raiva-dos-meninos-de-suzano/

Comentários

  1. Parabéns parceira e amiga. Diariamente temos trocado essas e outras "conversas" em nosso café matinal.

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